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Data: 22/06/2004
Número da coluna:  167
Autor: Madalena Carvalho
e-mail: madalena@estadao.com.br
"Educação Corporativa: investindo no essencial"
Todos nós sabemos que o maior patrimônio de uma Organização são seus ativos intangíveis, sustentados pelo Capital Humano, por esta razão, cada dia mais necessitaremos de pessoas capacitadas para o desenvolvimento de suas atividades profissionais. As grandes empresas atentas a tudo isso, entendem que o desenvolvimento da Educação Corporativa é uma vantagem competitiva.

E há dentro deste contexto dois personagens principais: colaborador e alta direção; estes devem formar uma parceria estratégica para a gestão eficaz da área. Sim, uma gestão compartilhada, de um lado a diretoria deve descer do topo deixando lá todas as suas amarras para compartilhar com o seu pessoal de idéias e ideais; e de outro lado o colaborador deve assumir seu papel dentro do processo educacional e de investimento que a empresa faz nele e gerar resultados.

Para que isso aconteça em primeiro lugar deve haver o comprometimento da alta direção. Sem a decisão de querer fazer, de querer mudar e inovar, nada acontecerá. Depois dessa decisão tomada, é preciso mostrar ao colaborador que ele é peça fundamental dentro do processo e que é também agente da mudança, e ambos mudarem o management: de uma Organização de soluções pontuais para uma Organização que desenvolve e sobretudo, retém seus talentos.

O novo processo educacional nas empresas precisa trabalhar de forma intensa as competências essenciais de sua gente, e aqui, entenda-se a corporação como um todo, da presidência ao faxineiro, incluindo terceiros. E estas competências individuais desenvolvidas passem para competências organizacionais. A grande incógnita é: como educar as pessoas para que alcancem esta transformação grupal de tamanho impacto estratégico?

Em primeiro lugar precisamos entender que competências essenciais são estas. Teoricamente competência é a capacidade de agir dentro de um contexto profissional de forma autêntica e responsável, através da mobilização, uniformidade e transferência de conhecimentos, habilidades e capacidades em geral. Mas como transformar esta teoria em algo maior para o indivíduo e conseqüentemente para a empresa?

Nesta resposta nasce o que verdadeiramente são as competências essenciais, ou seja, ir além do visível e buscar um desenvolvimento maior focado na iniciativa, inovação, habilidade de pensar e agir com rapidez, responsabilidade, visão de futuro, capacidade de diálogo, valorização da diversidade, espiritualidade; de forma que todos estes fatores possam consolidar o papel de cada um dentro do processo educacional e da nova dinâmica do mercado.

À frente de tudo isso precisa estar o líder, motivando as pessoas, questionando sua própria conduta, assumindo seu papel de educador, orientando, aconselhando, quebrando barreiras e acima de tudo, incentivando e valorizando cada ação individual e da equipe. Evidentemente que chegar a um estágio em que todos estejam afinados com estes propósitos demora um certo tempo, porém, é pelo exemplo que as pessoas crescem.

Em segundo lugar é preciso movimentar a Organização. Todos nós sabemos que os métodos tradicionais de treinamento possuem um efeito curto. As pessoas precisam estar constantemente experimentando o conhecimento, ou seja, envolver-se de forma integral, sem medo do erro, assumindo riscos. Precisam lançar-se aos desafios com coragem, retrocedendo se necessário for, pensando de forma estratégica. Só assim as pessoas se preparam efetivamente para alcançar resultados maiores e melhores.

Finalizando, educar as pessoas para a transformação comentada inicialmente é a somatória do desenvolvimento das competências essências com um profundo comprometimento de todos os envolvidos. Isto significa brilho no olhar, paixão pelas pessoas, capacidade de empolgar não somente a si próprio mas a todos, respeito genuíno, coisas que não precisam estar escritas nos manuais.

Investir nas pessoas é essencial, por isso que ter uma área de Educação Corporativa torna-se tão importante hoje em dia, pois ela terá condições de promover um sistema de aprendizagem com foco nos colaboradores para que estes desenvolvam suas competências e que estas estejam alinhadas com as metas e objetivos da organização e que provoque neles um desejo de aprender, de conhecer e de transformar seu trabalho, carreira e vida. Investir nas pessoas e dar a elas condições de crescimento, não é simplesmente modismo ou ações politicamente corretas.
Investir nas pessoas dá retorno financeiro! E neste caso o essencial não é invisível aos olhos.
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